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O vascaíno que acreditava na classificação do time para a final do Campeonato Carioca, o fazia pelo impulso natural de torcer. É algo inerente à sua função. Era sabido por todos, no entanto, que o Flamengo se colocava na posição de favorito por quase todos os aspectos possíveis do jogo: a qualidade do elenco, do time, o melhor momento, o maior investimento e a vantagem conquistada – 1 a 0 no 1º jogo e a igualdade de resultados.
Sobrava ao Vasco o imponderável, o inestimável. Pode parecer pouco, mas no futebol, e principalmente em clássicos, ele costuma surgir. Com uma frequência suficiente para fazer o torcedor acreditar de maneira concreta. A presença de milhares de cruz-maltinos em São Januário no treino de sábado deixava isso bem claro.
O torcedor que lá esteve foi para apoiar, não necessariamente para cobrar uma vitória. A exigência era outra: que se tentasse. Isso porque o time de Zé Ricardo se absteve de jogar no primeiro confronto. Passou 45 minutos inteiros no 1º tempo sem dar um chute sequer. Pior: sem ultrapassar o meio de campo, sem trocar cinco passes consecutivos. Não era nem uma questão de atuação ruim, mas sim de não atuar.
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Por força da torcida, desejo dos jogadores ou escolha do treinador – ou um pouco de cada -, a postura mudou no segundo duelo. E o reflexo foi visto nas arquibancadas, principalmente durante o intervalo. Com o placar ainda zerado, a equipe deixou o campo sob aplausos e gritos dos torcedores presentes. E assim foi até o apito final, mesmo com a derrota.
O time, que antes parecia ter medo da bola, conseguiu alternativas de saída e construção. Sem o medo excessivo, com os laterais mais soltos e sem a linha de seis defensiva, agrediu mais o Flamengo, forçou erros na saída e dificultou a transição rubro-negra. Pecou, como era de se esperar, na qualidade individual, uma deficiência ainda não resolvida no elenco.
O resultado pode até ter sido o mesmo do clássico anterior, mas o nível de atuação foi bem diferente. Principalmente quando o placar ainda estava zerado. A começar pela postura do time. Perder e ganhar faz parte do esporte, o “como” é que muitas vezes define o sentimento do seu torcedor. E o desse domingo, mesmo com a eliminação, certamente foi diferente do de quarta-feira para o vascaíno.
A caminhada do Vasco será longa em 2022. Entre tantas incertezas ainda existentes, no entanto, uma velha certeza se mantém cada vez mais firme: a torcida segue sendo o maior combustível do time.